Sinto-me borboleta tonta
Inebriada pelo cheiro de pedra molhada
Sou ramo onde repousa a catatua
Sou musgo verde de um tronco rugoso
Tornei-me a brisa que aspira o ar da terra
Remexida pelo passo estugado
De um potro selvagem
Que lá deu o primeiro passo
E de pequena folha, indefesa
Transformei-me em raposa esquiva
Que recolhe as crias do ninho
E ensina-os que nada é de fiar
Sou lebre escondida na floresta
Sem precisar de nada nem de ninguém
E sou, mais do que tudo, formiguinha
Com tantos projectos que fico febril
– Neste buraco vigiado pelo luar –
Ofegante de ser não uma
Mas mil
segunda-feira, 29 de março de 2010
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